Compostelando

Verbalizar Compostela. Fazer a cidade. Criar a nossa cidade crendo nela, querendo-a. Começamos assim este novo espaço, dedicado a pensar e discutir a nossa cidade, capital de um país que nom se crê mas que se quere. Compostelando vamos, desde Galiza para o Mundo.

2007-01-10

Feliz Ano 2007!

Compostelando vamos neste novo ano de 2007. Nada de novo, já que tudo o que quisemos botar para trás na madrugada de ano velho/ano novo continua aí, aqui, em nós e por todo o lado.

Ficam, por hoje, dois motes:

GALIZA É O NOME DO NOSSO PAÍS.

E,

O GALEGO É A LÍNGUA DA GALIZA.

COMO NÃO HÁ ACORDO ACERCA DA NORMATIVA DE GALEGO A UTILIZAR:

PELA LIBERDADE NORMATIVA, pelo menos nos grupos e associações que usam a nossa língua.

2006-12-18

Desde várias organizações do Estado Espanhol

Pela III República
Pela autodeterminação dos povos. Pela recuperação da memória histórica e a exigência de responsabilidades.

Afrontamos o 6 de Dezembro de 2006 fortalecidos pelo ascenso das ideias republicanas e do movimento pela III República.

Os poderes do Estado e as chamadas instituições "democráticas" rendem preito a uma monarquia designada por Franco, que a impôs como garante dos interesses duma classe social à cabeça da qual se encontra a oligarquia do dinheiro integrada pelos antigos franquistas e os neo-franquistas, pelos grandes latifundiários e por todos aqueles que, junto com a banca e os especuladores imobiliários, vão exaurindo os povos do Estado espanhol.
O que se denominou "a Transição espanhola" não foi mais do que a adaptação do regime fascista às novas necessidades do grande capital, que tenta fazer-nos esquecer a sua cumplicidade com a ditadura franquista e com os crimes desta através de uma Constituição que sirva como lei de "ponto final" a tudo o que aconteceu durante 40 anos de tirania.
Restauram a monarquia sem a ninguém prestarem contas e investem como Chefe de Estado e das Forças Armadas ao Rei herdeiro do ditador, na figura de Juan Carlos I, garantindo-lhe a imunidade penal para toda a vida. Deste modo, a responsabilidade deste sujeito na época de Franco, pois teve-a, assim como aquela que venha a ter no futuro, é anulada pela Constituição espanhola.
Assim, a Constituição de 1978 foi convertida numa lei que sanciona como "bons" o golpe de Estado de 1936 e os crimes da ditadura. O governo democrático e legítimo da II República permanece no mais absoluto esquecimento. E os lutadores antifascistas, tal como o heróico apoio das Brigadas Internacionais, que vieram a dar a vida pelas liberdades, a democracia, a igualdade social e o progresso dos povos, foram apagados de uma penada pela Constituição monárquica de 78.
O movimento pela República não aceita a Constituição monárquica de 78 nem a monarquia, e luta pela conquista da III República como forma de superar a opressão, tanto social como nacional, e as desigualdades que entranha o anacrónico sistema monárquico, que apenas aspira a manter os privilégios de classe e de casta de algumas minorias à custa das amplas maiorias.
Na política imperialista que a União Europeia desenvolve, os governos do Estado espanhol, com o seu monarca à cabeça, intervêm em países soberanos como o Afeganistão ou o Haiti, e em conflitos como o do Líbano, em claro apoio à política opressiva de Israel. Fiéis à política anti-imperialista que o movimento republicano defende, exigimos o retorno das tropas que invadiram países soberanos, a saída da Espanha da NATO e o desmantelamento das bases dos Estados Unidos no nosso país, porque nos negamos a sujeitar a nossa soberania nacional a uma potência estrangeira que se transformou na maior ameaça contra a paz mundial.
O acesso à habitação converteu-se em algo impossível de atingir para milhões de pessoas e, em particular, para os jovens. O roubo descarado praticado por promotoras, construtoras, bancos, instituições e "ayuntamentos, transformou a gestão de uma necessidade básica numa descomunal burla ao mais puro estilo mafioso, cheia de testas-de-ferro e funcionários corruptos, com taxas de juro bancárias artificialmente em constante crescimento, que estão a asfixiar milhões de famílias. E tudo isto se passa quando para Felipe, o herdeiro do Rei, lhe constróem una residência de 1.700 metros quadrados, sem qualquer problema económico e com o cinismo de proclamarem aos quatro ventos que todos temos os mesmos direitos.
As mobilizações de milhares de jovens por uma habitação digna e a preço acessível são a denúncia de um problema que, tal como o desemprego e a precariedade, faz parte das preocupações mais importantes com que se terão de defrontar as novas e as futuras gerações.
Aos trabalhadores foi-lhes imposto, sem qualquer informação nem consulta, uma contra-reforma laboral que torna mais barato o livre despedimento, que potencia as ETTs e a subcontratação, que reduz as contribuições empresariais para o desemprego e a formação, e que subsidia directamente os empresários com diversos fundos. A outra contra-reforma, a das pensões, igualmente acordada pela patronal, o Governo e as direcções de alguns sindicatos, leva ao aumento da idade para a reforma, à redução das pensões, ao endurecimento das condições do contrato de substituição que afecta directamente os jovens e à redução das contribuições dos empresários para a segurança social. Por tudo isto, há que unir e mobilizar os trabalhadores, para impedir que haja mais retrocessos e para que se prepare a luta para avançar.
Muitos outros problemas se interrelacionam com os anteriormente mencionados, como o da saúde, que se deteriora a cada dia que passa, ou o da educação, que se ressente das transferências de fundos públicos para os centros privados, em detrimento da escola pública. Tudo isto enquanto se subvenciona a Igreja Católica com milhares de milhões de euros que saem dos bolsos de todos, crentes e não crentes, quando há por resolver tantas e tantas questões prioritárias. Aspiramos a um ensino laico e gratuito, sem aulas de religião, que sirva para educar nos ideais da igualdade, da justiça social e da solidariedade.
O processo de paz que se abriu a partir da trégua permanente da ETA permite alentar a esperança de que o conflito no País Vasco será superado com a resolução dos problemas políticos que lhe deram origem, como o do direito à autodeterminação, que é sistematicamente negado pela oligarquia centralista, à cabeça da qual está a monarquia borbónica. A direita neo-franquista do PP está a bloquear o processo, pois não está interessada na paz, e o Governo, com a fraqueza que tem mostrado, não está a dar passos para avançar num processo que é do interesse de todos. A derrogação da lei antiterrorista, a derrogação da lei dos partidos e o reconhecimento da existência dos presos políticos, bem como o fim da repressão sobre a esquerda abertzale, são medidas que ajudariam a fazer avançar o processo de paz no País Vasco.
Uma situação semelhante de bloqueio, e também de profunda insatisfação, ocorre com a Lei da Memória Histórica agora em trâmite parlamenta. Já há muitas associações que a chamam "uma traição da memória histórica", pois deixa impolutos todos os crimes do franquismo, os julgamentos sumaríssimos, o golpe militar de 36, os assassinatos cometidos no decurso da transição, a simbologia franquista... O movimento republicano exige uma lei que dê satisfação a todos os que lutaram pela República como verdadeiros patriotas e democratas, que anule todas as sentenças franquistas e condene os verdugos, que foram os fascistas e os que lhes deram apoio.
Hoje surgem de novo, alimentadas pela direita, as ideias fascistas e as respectivas organizações, que também se nutrem na corrupção política e económica que o sistema da monarquia tem generalizado. Actuam impunemente como dianteira da direita para impor o terror e travar os sectores populares das esquerdas, cevando-se de forma especial contra os estrangeiros, precisamente porque são a parte mais débil e desprotegida da sociedade, porquanto as leis deste sistema injusto lhes negam os direitos mínimos que lhes correspondem como cidadãos.
O movimento antifascista, que se vem desenvolvendo a todo o comprimento e largura da nossa geografia, conta com o apoio do movimento republicano para avançar em direcção a uma sociedade mais justa, sem privilégios e sem reminiscências do franquismo.
A mobilização contra a monarquia e pela III República, a 6 de Dezembro em, Madrid, é uma necessidade para as camadas populares de todos os povos do Estado espanhol, pois que o movimento republicano está a crescer e é necessário articulá-lo e organizá-lo mais e melhor. É imprescindível romper as amarras do passado através da superação da constituição de 1978 e pela abertura um processo constituinte para alcançar a III República, como um quadro democrático que permita superar as desigualdades sociais, a injustiça e da corrupção geradas pelo regime da monarquia herdeira do franquismo.
Não à constituição monárquica.
Pelo direito de autodeterminação dos povos.
Pela recuperação da memória e da história.
Pela III República.

2006-10-20

Sexta-feira

Começamos esta sexta-feira com mais chuva. Tem caído água que é só visto! A ver se lava bem a nossa praça, se a limpa de toda a porcaria que nelas se vem acumulando...

Por Galiza as cousas vam coma sempre: o PP ainda nom aceitou a sua derrota eleitoral; o BNG vai trabalhando como pode e o deixam; o PSOE no seu dilema pós-vazquista, sem saber bem o que chamar à Crunha. Ah, e onte surgiu na imprensa uma notícia sobre o mapa comarcal que disponibilizou NÓS-UP há uns anos. Nesse mapa estam incluídos os concelhos de cultura galega do Berço, Eo-Návia, Cabreira e Seabra. Pois parece que alguém nom gostou de se ver ali retratado. Já disse Galeano que um dos pecados capitais é o auto-ódio dos povos colonizados...

No Porto as cousas estam animadas, ainda que no pior sentido. A Cámara Municipal, governada por um déspota descerebrado da direita portuguesa, decidiu privatizar a gestom do Teatro Municipal do Rivoli. A gente da cidade, os seus usuários, revoltaram-se. Ainda por cima sabendo de antemao que a dita gestom iria ser entregue ao empresário teatreiro Felipe La Féria: o rei do teatro de revista da capital, conhecido apoiante da direitona. Pois bem, um grupo de 30 pessoas encerrou-se dentro do Rivoli, apoiadas por centenas de cidadaos que ali lhes levavam comida, e água, depois do presidente da cámara ter fechado as torneiras da água. Onte parece que a polícia de intervençom ali entrou e os prendeu a todos. Entre eles estava Regina Guimarães, escritora, prof universitária e activista cultural.

Em Lisboa, os deputados da maioria rosa, da oposiçom laranja e da esquerda-caviar (PS, PSD e BE, respectivamente) aprovaram a realizaçom de um novo referendo sobre a legalizaçom do aborto. Sim, é verdade, em Portugal as mulheres ainda vam presas se o praticam! O CDS-PP (herdeiros de Salazar), o PCP (Comunistas) e Os Verdes votaram contra a relizaçom do referendo. Os primeiros escandalizam-se com o aborto, as drogas, a homossexualidade, considerando tudo isso um pecado, um desvio da lei de deus, algo que tem se se manter dentro de Portas (dentro de casa, claro!). O PCP e Os Verdes partilham a mesma opiniom, de que a legalizaçom cabe ao parlamento, devendo o PS aproveitar a larga maioria favorável à despenalizaçom do aborto. A Igreja já anunciou que, como em 1997/98, vai apoiar o NOM à despenalizaçom. Imaginade que chamam aos proibicionistas "Movimento Pró-Vida". Pff, como se as mulheres que abortam nom o sejam...

Bem, boas novas agora. Compostelando: hoje inauguraçom da derradeira exposiçom da Chocolateria, com um colectivo de artistas de Cuba, apresentando "Habana Blues". Também hoje, à noite, inauguraçom do Festival AMAL 2006, festival de cinema árabe, hoje grátis, na Aula Sociocultural da Fundaçom Caixa Galiza, com um documental sobre Arafat.
E, durante o dia em lugar incógnito, mais uma jornada do Congresso Mundial das Mulheres Labregas. Participam mulheres de muitos países, estando a organizaçom a cabo do Sindicato Labrego Galego.

2006-10-02

Ordenanças & Companhia

Como se fabrica um problema, uma crise? Pois muito fácil: chamas a atençom do Correo Gallego para algo que seja moralmente reprovável (segundo a sua moral) e estes dedicam rios de tinta e kilos de papel a dramatizar essa situaçom.
Desta vez foi com as ruas da zona velha, da amêndoa, que é a "zona monumental". De repente alguém reparou que cheirava a urina nas ruas desta zona. E que havia montanhas de lixo por todo o lado. Os que todos os dias vivemos a zona velha fomos lembrados para o mal que isso era para umha cidade como a nossa. Que fique claro que nom gosto do cheiro da urina, mas daí a criar um monstro virtual...
Bem, o outro jornal diário da regiom, La Voz de Galicia, criou mesmo um forum na web sobre este assunto, onde os santiagueses e os compostelaos se espraiaram verbalizando contra a desatençom do Concelho na limpeza urbana. Bugallo, o alcalde, saiu em cena: havia que proibir, coimar, castigar os mijantes, os que urinam na rua e, de passo, castigar também os do botelhom...
E assim nasceu mais umha ordenança municipal, que é como uma lei local. Assim, pensam eles, os turistas terám para si umha cidade mais limpa e acolhedora. Mas, será que estes senhores viajam? Certamente viajarám por hotéis de 5 stars, onde tudo está sempre inmaculado, brilhando. Umha cidade viva tem destas cousas. Tem cheiros, tem gente, tem jovens. E tem também necessidades fisiológicas que, nom havendo alternativa, tenhem que ser satisfeitas de igual maneira. Claro que hai que solucionar os problemas quando eles surgem. Mas castigar em vez de apontar soluçons nom é a resposta. Esta é a maneira de governar dos populistas. Os populares iriam mais alá, claro, excomungando ou proibindo, encarcerando ou algo assim. Os populistas pouco se diferenciam. A mágoa é ver aos que votamos ali, ao seu lado, respaldando estas ordenanças sem apontar, eles tampouco, umha soluçom.

2006-09-27

Compostelando por Arçúa

Arçúa está a menos de 40 Km de Compostela. Tem alcalde do Bloque, D.Xaquín García, muitos albergues para peregrinos, comida boa e farta, queijos, os toldos dos irmaos Gomes, entre outras cousas. É um lugar curioso. Os da terra dim que este alcalde fijo mais em três anos do que o PP em vinte. E assim parece. Mesmo os velhos das aldeas mostram carinho polo actual alcalde arçuano.

Arçúa está no caminho de Compostela a Lugo, mas também no Caminho Francês. Assim que tem sido, ao longo do tempo, um ponto de passage e parage de muitos caminhantes e demais viajeiros.

Coa mudança de governo em 2003, Arçúa acolheu o festival Terractiva, que se realizara primeiro no Ferrol.

Lembro: Terractiva, o festival das artes pola biodiversidade que organiza Culturactiva em Arçúa, decorreu no passado fim de semana, com grande êxito, apesar dos muitos litros por metro quadrado caídos desde o céu. Houve muita gente, muito ânimo. E, mesmo tendo sido cancelado o concerto dos Dios Ke te Crew (umha pena, mas chovia muitíssimo), o de Berrogüetto foi como esperado, fantástico.

Para quem tem ganas de passear pola zona de Arçúa, deixo um restaurante: Carballeira, no mesmíssimo centro da Vila, girando à esquerda quem vai de Compostela. Come-se bem e barato, a simpatia dos donos é extravasante, tudo muito caseirinho.

Boa semana.

2006-09-20

Com C de Compostela

Outono. Que bem sabe levar coas primeiras águas na pel, molhar o corpo, sentir a frescura aliviante, depois de um Verao quente, quentíssimo. Que alegria ver a cidade molhada, o cheiro a terra e verde, os cada vez menos turistas enchendo as ruas da cidade velha. Que bem regressar ao trabalho, à escola, à universidade.
Compostela transforma-se no outono. Este outono começou antes, todavia. Em pleno agosto, em reacçom aos lumes, a cidade já se enchia de vida, contrastando coa monotonia que os milhares de turistas lhe impingem. Os Compostelaos saimos à rua em agosto, protestando contra os lumes, contra Israel, polos direitos humanos dos nossos irmaos libaneses e palestinos. E por isso este setembro vem diferente. Também diferente porque pola primeira vez a direitona fascista que representa o PP saiu à rua, berrando insígnias contra o governo bipartido, especialmente contra o conselheiro do meio rural.
Outono. As folhas que ainda estam nas árvores que nom arderam preparam-se para cair, douradas, amarelecidas, ressecas. Nom as dos eucaliptos, que estes som perenifolios. Ai que mágoa, que bem cheiram estes eucaliptos e que mal fazem aos nossos chaos!
Outono é também quando vamos ao monte a colher cogumelos e castanhas, quando as assamos na lareira, no lume bom que nos aquece e seca das chuvas. Muito me parece que este outono poucos cogumelos vamos colher. Mas esperança, amigos, esperança e bem verdinha. Este fim de semana, 23 e 24 de setembro, temos em Arçúa o Festactiva, festival da terra e do rural alternativo. Hai que estar. Tocam Berrogüeto no domingo e Dios ke te crew no sábado, entre outros. Hai obradoiros, charlas e também cursos interessantes. E ainda estam abertas as inscriçons!

E bem, bem-vindos a Compostelando, estando desde já convidados a participar coa vossa opiniom, ou com temas que creades interessante ao debate.